Chega o momento de trocar o termoacumulador ou de equipar uma casa nova e a pergunta surge quase sempre: solar térmico ou bomba de calor para a água quente sanitária (AQS)? As duas soluções são eficientes, as duas reduzem a fatura, mas não servem exatamente o mesmo caso. Neste artigo comparamos solar térmico e bomba de calor com números reais de dois projetos LEFE - um deposito solar térmico por termossifão e uma bomba de calor AQS - para que decidas com dados e não só com "achamos que".
Em resumo:
- ☀️ Solar térmico: zero consumo elétrico na circulação (termossifão), mas depende da radiação solar e precisa de telhado virado a sul.
- 🔥 Bomba de calor AQS: consome eletricidade, mas até 3 a 4 vezes menos do que um termoacumulador elétrico convencional, com COP até 3,9.
- 💶 Exemplo real: bomba de calor HENQ 300L instalada por 1.931,20 € (c/IVA); kit solar térmico Solius 200L ronda os 1.450 € (s/IVA) só de equipamento.
- 🏠 Um acumulador de 200-300 L cobre, em qualquer das tecnologias, o consumo típico de uma família de 3 a 4 pessoas.
- 🧾 Atenção ao IVA: a taxa reduzida de 6% para equipamento solar caducou em 30/06/2025 - hoje aplica-se a taxa normal de 23%, salvo reposição legal.
Como funciona o solar térmico por termossifão
Um sistema solar térmico aproveita a radiação solar para aquecer diretamente a água de consumo - banhos, cozinha, lavagens - que é, depois da climatização, tipicamente a maior fatia do consumo energético de uma habitação. Nos kits que instalamos com mais frequência, o modelo termossifão dispensa mesmo a bomba de circulação:
- O coletor solar no telhado aquece a água que passa dentro dele.
- Essa água aquecida fica mais leve e sobe naturalmente até ao acumulador, que fica sempre colocado acima do coletor - como o fumo que sobe sozinho numa chaminé.
- A água fria, mais pesada, desce para o coletor e o ciclo repete-se enquanto houver sol.
- Uma resistência elétrica de apoio (com termóstato) entra em ação só nos dias de menor radiação, para garantir água quente mesmo sem sol.
O resultado é um sistema simples, fiável e quase sem manutenção, porque não tem bomba de circulação nem eletrónica de controlo a monitorizar - só o essencial: coletor, acumulador vitrificado e válvulas de segurança.
Como funciona uma bomba de calor para água quente sanitária
Uma bomba de calor AQS não depende do sol: extrai energia térmica do ar ambiente e transfere-a para a água do depósito, mesmo de noite ou com céu nublado. Um compressor eleva a temperatura de um fluido refrigerante e, através de um permutador, aquece a água armazenada até cerca de 60ºC. Por cada unidade de eletricidade consumida, o equipamento entrega várias unidades de calor - daí a eficiência elevada, medida pelo COP (coeficiente de desempenho).
No caso da HENQ Seven Duplex R290 de 300 litros que a LEFE instala com regularidade, o COP chega a 3,9, a classe energética é A+ e o refrigerante é o R290, um gás ecológico. O depósito é em aço Duplex com serpentina, o que lhe dá boa resistência à corrosão, e o equipamento tem display LCD com controlo Wi-Fi.
Solar térmico vs bomba de calor: as diferenças que importam
Na prática, a escolha entre solar térmico e bomba de calor depende menos de qual é "melhor" e mais de qual se adapta à tua casa. Um telhado bem orientado a sul, sem sombras, favorece o solar térmico; uma cobertura pequena, um apartamento sem acesso à cobertura, ou a necessidade de mais espaço interior, favorecem a bomba de calor.
| Critério | Solar térmico (termossifão) | Bomba de calor AQS |
|---|---|---|
| Fonte de energia | Radiação solar, captada no telhado | Ar ambiente |
| Consumo elétrico | Zero na circulação; resistência elétrica só de apoio | Sim, mas até 3-4x menos do que um termoacumulador elétrico |
| Depende do sol? | Sim - a produção varia com a estação e a nebulosidade | Não - funciona de dia, de noite e com qualquer tempo |
| Onde se instala | Coletor no telhado/cobertura + acumulador | Só o espaço do próprio equipamento (interior ou exterior) |
| Eficiência | Depende da radiação disponível; sem métrica de COP | COP até 3,9 (modelo HENQ Seven Duplex R290) |
| Investimento (exemplo real LEFE) | ~1.450 € (s/IVA) por kit 200 L, só equipamento | 1.931,20 € (c/IVA), 300 L, fornecido e instalado |
| Garantia (exemplo real LEFE) | 3 anos equipamento + 3 anos instalação | Garantia padrão do fabricante |
Caso real: quatro sistemas solares térmicos num edifício em reabilitação
Um edifício multifamiliar em reabilitação na zona da Figueira da Foz precisava de água quente sanitária independente para quatro frações. A solução foi instalar quatro kits Solius SuperKit 200 litros Versátil, um por fração, cada um com coletor, acumulador vitrificado, estrutura de fixação adaptável à cobertura e resistência elétrica de apoio.
Por se tratar de uma obra fora da zona habitual de atuação da equipa - com deslocação de cerca de 370 km ida e volta, grua para colocar os equipamentos na cobertura de um prédio de 3 pisos e estadia da equipa técnica durante os 3 dias de instalação - o investimento total, incluindo estes custos extraordinários, foi de 13.290,15 € com IVA para os quatro sistemas completos (o equivalente a cerca de 3.320 € por fração, já com deslocação e grua incluídas). Numa instalação próxima da sede, sem estes custos de logística, o valor por sistema seria significativamente mais baixo. Cada acumulador de 200 litros está dimensionado para o consumo de uma família de 3 a 4 pessoas, com garantia de 3 anos tanto no equipamento como na instalação.
Lista de verificação: o que perguntar antes de decidir
- ☑️ O teu telhado tem uma zona virada a sul (ou próximo), sem sombras de prédios ou árvores durante o dia?
- ☑️ Tens espaço de cobertura para o coletor e de sótão/parede para o acumulador, ou preferes tudo num único equipamento compacto?
- ☑️ Quantas pessoas vivem em casa? Isso define se um depósito de 160, 200 ou 300 litros é suficiente.
- ☑️ Já tens paineis fotovoltaicos ou vais instalar? Uma bomba de calor AQS pode ser alimentada com essa energia solar já produzida em casa.
- ☑️ Qual é o teu orçamento inicial e o que pesa mais para ti: investimento mais baixo à partida ou zero consumo elétrico na circulação?
Qual escolher, no fim de contas?
Se tens telhado bem orientado, queres o consumo elétrico mais baixo possível e não te importas com a manutenção sazonal do anticongelante, o solar térmico continua a ser uma das formas mais eficientes de aquecer água em Portugal. Se o espaço de cobertura é limitado, vives num apartamento sem acesso a telhado, ou já tens fotovoltaico e queres rentabilizar essa energia também na água quente, a bomba de calor AQS costuma ser a escolha mais prática - com uma eficiência muito acima de um termoacumulador elétrico convencional.
Em qualquer dos casos, o dimensionamento certo do depósito e a instalação bem feita (ligações hidráulicas, válvulas de segurança, ensaio de arranque) contam tanto para a poupança final como o próprio equipamento escolhido.
Não sabes qual das duas soluções compensa mais na tua casa?
A equipa da LEFE faz o levantamento técnico, calcula o dimensionamento certo e apresenta uma proposta com valores reais - sem compromisso.



